Reflexões sobre Porto Alegre – O carro é seu, a rua é de tod@s.

Em 25 de fevereiro de 2011 a Massa Crítica de Porto Alegre sofreu uma tragédia imensa quando Ricardo Neis, 47 anos, funcionário público do Banco Central, pilotando um golf preto, avançou sobre 150 ciclistas que se deslocavam na rua, no mesmo sentido que o seu, derrubando 50, hospitalizando 11. O 1º minuto no vídeo explica melhor:

Para muitos, esta e outras imagens não deixarão dúvidas sobre a intenção de matar, que por sorte não se concretizou, do motorista do tal golf preto; outros vão dizer que não, foram os ciclistas que provocaram mesmo. O certo é que como nos diz Renata Falzoni, Hitler e Bin Laden (eu acrescentaria ainda Bush filho e pai), também tem lá suas explicações…

Nestes casos, como também no ocorrido com a família Nardoni (onde um pai de classe média jogou a filha pela janela) corre-se o risco de, frente a uma brutalidade tão absurda e extrema, deixar de olhar para as tantas outras, talvez tão chocantes quanto, que silenciosamente promovem verdadeiros massacres, como é o caso da violência doméstica contra crianças e adolescentes, e também a violência no trânsito, à qual deixaremos aqui algumas reflexões.

O carro é uma arma?

 E o que é uma arma??? Algumas das ditas armas de fogo são utilizadas para o esporte, mas acreditamos que a grande maioria das armas, bombas, minas, fuzis e bazucas são utilizadas para ferir, matar e intimidar. Facas de pão e tacos de beisebol, embora destinados a outras finalidades, em dado momento, também podem ser utilizados para ferir, matar e intimidar, assim como aviões de passeio que atinjam algum prédio “gêmeo” por aí…

Vejamos um trecho do livro Apocalipse Motorizado, disponível para empréstimo aqui no blog:

“Imagine que um grupo de cientistas pede um encontro com as lideranças políticas do país para discutir a introdução de uma nova invenção. Os cientistas explicam que os benefícios da tecnologia são incontestáveis, e que a invenção aumentará a eficiência e tornará a vida de todos mais fácil. O único lado negativo, eles alertam, é que para ela funcionar, 40 mil pessoas inocentes terão que morrer a cada ano.

Os políticos decidiram adotar ou não a nova invenção?

Os alunos estavam prestes a dizer que uma tal proposição seria completamente rejeitada de imediato, quando ele despreocupadamente observou: “Nós já a temos: o automóvel”.

Sendo assim, poderíamos acreditar que o carro também é uma típica arma, e alguns resultados poderíam comprovar o prognóstico científico, como os que nos dizem que em 20 anos, no Estado de São Paulo, a população inteira de São Caetano do Sul foi sepultada e já promovemos quase 3 Vietnãs, ou ainda, outra reportagem que reafirma: em São Paulo, trânsito já mata mais que as armas.

Mas há também aqueles que ainda acreditam servir o carro para outras coisas, como o transporte, por exemplo.

Sobre “travar a rua” e “atrapalhar o trânsito”.

O Movimento Massa Crítica é um movimento mundial e em muitas cidades, na última sexta-feira do mês, pessoas a pé, de bicicleta, de patins, patinete, cadeira de rodas, ou seja, “veículos” movidos à propulsão humana, livres do motor, se reúnem para reivindicar seu espaço na rua; mais que reivindicar, para serem vistos, o que não acontece no dia a dia; e mais do que serem vistos, para celebrar a cidade como espaço para as pessoas, espaço de convívio e não de segregação.

Em muitas cidades brasileiras, diferente de Porto Alegre, o Movimento foi rebatizado de Bicicletada, mas ambos são o mesmo movimento, de organização horizontal, sem líderes e pacífico. O foco das discussões e ações também é a mesma: o uso descontrolado e ainda incentivado pelos órgãos públicos dos carros. 

Ao contrário da Massa Crítica/ Bicicletada que ocorre uma vez ao mês, os CARROS promovem DIARIAMENTE, o “travamento” do trânsito, atrapalhando a circulação de todas as outras pessoas, as movidas pela própria força e também os usuários de transporte público.

Não se trata de uma guerra contra os motoristas de carros pois acreditamos que muitos deixariam os carros na garagem se tivéssemos outros meios mais decentes para nos transportar. Vejam a vida do também coitado motorista: pagam uma furtuna em seus lindos automóveis, no IPVA, na gasolina, no seguro e na manutenção de seus veículos e o pior: também ficam diariamente presos aos seus carros, sua paixão, no travamento do trânsito produzido por outros, que como ele, acreditaram naquele lindo comercial de ruas vazias, de longas estradas, de aventura e liberdade sem fim…

Alguém já ouviu falar em propaganda enganosa? Alguém se lembra das antigas propagandas de cigarros? Pobres enganados fumantes, hoje ninguém os quer. Podemos dizer que hoje, os carros tem mais direito que as pessoas, pois eles podem “fumar” livremente, sem rejeição, já as pessoas não. Mas nem vamos entrar na questão da poluição do ar ou sonora, afinal muitos leitores se quer chegarão até aqui…

Voltemos a utilização do carro como arma e não como meio de transporte, mas aqui abriremos espaço para um Global que pode, eventualmente, ter mais crédito que eu, falando sobre a legislação brasileira para o trânsito, e em especial, sua implementação.

Clique aqui para ver o vídeo do Glogal Alexandre Garcia.

A Bicicletada ABC se reúne toda penúltima sexta-feira do mês na Praça do Ciclista em Santo André (na Perimetral, entre Padaria Central e posto de gasolina), concentração lúdica às 18h, saída às 20h.

Participe!

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5 respostas em “Reflexões sobre Porto Alegre – O carro é seu, a rua é de tod@s.

  1. Parabéns pelo post! Muito bem escrito!
    Apenas alguns deslizes da digitação, mas nada que não possa ser compreendido.
    Grande abraço e força no Pedal!

  2. Estoy con uds ante esa tragedia, hermanos brasileiros..como puede existir aun esos “salvajes [in-]civilizados” q creen q por tener mas plata q uno y un auto nuevo puedan hacer esas cosas tan horrendas…aqui en Peru quedamos estupefactos ante esta accion tan disna de asesinos, ese tipo merece quedarse en la jaula cadena perpetua y pagar todos los daños y perjuicios de su acto…es un salvaje. Forza amigos y colegas de Massa Critica,
    con cariño…un cicloviajero Peruano (Cusco) q estuvo en Acre.
    Cesare Ricci

  3. Muito bom o texto, parabéns.. e como diria um pensandor: se não existissem motores não haveria doação de órgãos! Hoje mesmo vi mais um acidente próximo ao Bruno Daniel, sangue pelo chão, e mais um sendo levado pelo SAMU 😦

  4. lamentável o ocorrido, somente uma mente doente é capaz de uma ação como esta, parabens pela iniciativa da divulgação.

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